O cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena

dc.contributor.advisorRossi, Lídia Aparecida
dc.contributor.authorRibeiro, Aridiane Alves
dc.date.accessioned2019-08-08T12:21:04Z
dc.date.available2019-08-08T12:21:04Z
dc.date.issued2015
dc.degree.grantorUniversidade de São Paulo . Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
dc.degree.localRibeirão Preto/SP
dc.description.abstractO objetivo deste estudo foi interpretar a realidade social e política, na qual se estabelece o cuidado intercultural vivenciado por indivíduos na zona de intermedicalidade de uma aldeia, partindo da perspectiva dos usuários indígenas e dos profissionais de saúde ameríndios e não-indígenas. As bases teóricas que ancoraram a coleta e análise interpretativa dos dados incluíram: a Etnografia, Antropologia Interpretativa, Modelos explanatórios e abordagem cultural safety. Mediante aprovação do Comitê Nacional de Ética em Pesquisa, procedeu-se trabalho de campo na Terra Indígena Buriti, localizada nos munícipios Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, Mato Grosso do Sul, Brasil. Realizou-se observação participante nas unidades de saúde e no cotidiano das famílias nas aldeias, bem como no Pólo de Sidrolândia. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas com 16 indígenas usuários do serviço, 12 profissionais de saúde terenas e seis trabalhadores de saúde não-indígenas. A análise dos dados, simultânea à coleta, ocorreu na perspectiva da Hermenêutica Dialética por meio da análise temática. Os preceitos éticos foram seguidos. Neste estudo, identificaram-se dois temas: 1) Doença é pior que a morte: explicações sobre o processo de adoecimento retrata como o processo saúde-doença é interpretado pelos participantes. Saúde, para os terenas, é um aspecto primordial na vida deles. O processo de adoecer envolve a perda e/ou a redução da disposição física, psíquica e espiritual para desenvolver atividades cotidianas. Espiritualidade, higiene, alimentação e a questão da posse de terra impactam o processo de adoecimento terena. 2) A intermedicalidade do sistema de cuidado em saúde terena que retrata os significados atribuídos pelos participantes à coexistência e intercomunicações (intermedicalidade) entre as formas de cuidados em saúde terena: medicina terena, espiritualidade, modo de vida e o serviço oficial de atenção à saúde (sistema Pólo/Posto). O sistema de cuidado dos terenas revela o processo de indigenização dos serviços de saúde. A medicina terena é entendida sob dois âmbitos: um centralizado no conhecimento tradicional indígena, que inclui uso de ervas, atividades de parteiras e de puxadores de pernas; e outro nos aspectos místicos e sobrenaturais para sua execução: rezas e prática da pajelança, com destaque para redução do número de pajés. A espiritualidade como opção terapêutica é representada pela fé do terena em Deus, concretizada pela oração. O modo de vida do terena engloba principalmente dois aspectos: centralidade na família e o cuidado com higiene individual e ambiental. O sistema Polo/Posto é procurado pelo terena conforme a cartela de serviços ofertada pelas unidades e segundo suas necessidades peculiares, os casos que o terena não consegue resolver. Neste âmbito de cuidado, há a produção de encontros do cuidado pautados pelo vínculo, confiança, diálogo e agir dos profissionais culturalmente sensível. Há, também, desencontros do cuidado favorecidos por prioridades estabelecidas em metas, atendimento queixa-conduta e precária infraestrutura. Observou-se um processo maciço do uso de medicação. Os aspectos identificados nos relatos dos participantes sobre o sistema de cuidado terena são atravessados pela historicidade do povo terena, questão da posse de terra, medicalização da sociedade, higienismo, integração entre corpo, cosmos e terra, espiritualidade com diversidade religiosa, cultura terena centrada na família, atividades programáticas de saúde na atenção básica, biomedicina, transporte precário e baixa resolutividade. Diabetes e hipertensão arterial foram as doenças registradas pelo Pólo e significadas pelos participantes como as principais enfermidades da população. Há a coexistência de medicinas híbridas em todos âmbitos de cuidado em saúde terena. É importante que a intermedicalidade ocorra nos espaços do sistema Pólo/Posto sem sobreposição do saber médico e/ou da lógica institucional à sabedoria terena
dc.identifier.citationRIBEIRO, Aridiane Alves. O cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena. 2015. 210 f. Tese (Doutorado em Ciências) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2015.
dc.identifier.urihttps://repositorio.bvspovosindigenas.fiocruz.br/handle/bvs/755
dc.language.isopor
dc.rightsopen accessen_US
dc.subject.decsBrasil
dc.subject.decsÍndios Sul-Americanos
dc.subject.decsPessoal de Saúde
dc.subject.decsSaúde de Populações Indígenas
dc.subject.decsMedicina Tradicional
dc.subject.decsAntropologia Social
dc.subject.otherBrasil
dc.subject.otherÍndios Sul-Americanos
dc.subject.otherPessoal de Saúde
dc.subject.otherSaúde de Populações Indígenas
dc.subject.otherRegião Centro-Oeste
dc.subject.otherRegião Amazônica
dc.subject.otherMato Grosso do Sul
dc.subject.otherMedicina Tradicional
dc.subject.otherEtnografia
dc.subject.otherTerena
dc.subject.otherBuriti
dc.subject.otherExercício
dc.subject.otherEpidemiologiaen_US
dc.titleO cuidado no espaço de intermedicalidade em uma aldeia indígena
dc.typeThesisen_US
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